quarta-feira, 27 de abril de 2011

Xixi na rua

Demorou, levei quarenta dias para me dar conta, mas essa quaresma me fez pensar sobre muita coisa que aconteceu no último carnaval. Logo eu, frequentador dos desfiles na Sapucaí e de quase todos os blocos de rua da cidade, tive uma das sensações mais desagradáveis da minha vida e vi que nem tudo é confete e serpentina: Me pegaram fazendo xixi na rua!

Juro que não sabia o motivo, isso sempre foi normal para mim. Sabe como é, uma cervejinha aqui, uma caipirinha ali, na hora que aperta você acaba se aliviando em algum lugar pertinho ou meio escondido. Só que dessa vez eu quase estraguei minha folia.

Eu estava com minha fantasia de pierrô quando me pegaram com a mão na massa. Foi aí que comecei a entender uma marchinha que as pessoas cantavam no bloco e que depois descobri que era do João Roberto Kelly. “Quer fazer xixi, não faz aqui”. É parceiro, eu sujava as ruas por desleixo e não pensava nisso, muito menos se alguém ia me levar a mal. Eu só estava apertado.

A alegria do carnaval virou apreensão quando me disseram que teria que ir para a delegacia por atentado ao pudor. Até então eu era ficha-limpa, com ou sem recurso no Supremo Tribunal Federal, mas tive que assinar um Boletim de Ocorrência, o famoso BO.

Quando saí, comecei a me perguntar se o que eu fazia era errado, afinal – na minha santa ignorância – eu achava que só ladrão ia parar na delegacia. 

Na quarta-feira de cinzas eu queria saber por que o xixi na rua era tão ruim. Depois de alguns minutinhos pesquisando na internet, descobri que a arquibancada do estádio da Fonte Nova, em Salvador, um dos mais tradicionais do Brasil e que vai sediar jogos da Copa de 2014, caiu por culpa do xixi dos mal-educados de plantão em 2007, matando sete pessoas. A acidez da urina atacou a estrutura e contribuiu para a tragédia. E como isso não fosse suficiente, li também que o fedor costuma ficar por dias em ruas onde muitos porcalhões costumam dar aquela aliviadinha.

Outra coisa que não sabia é que não preciso consumir em bares e restaurantes para ter o direito de ir ao banheiro. Se o dono de algum estabelecimento proibir o acesso, corre o risco de perder o alvará.

Eu que sempre me achei esperto, convicto de que amava o Rio, vi que era um grande desavisado que sujava minha cidade.

Mesmo achando que precisamos de mais banheiros químicos, nada justifica o xixi na rua. Depois de 40 dias, a ficha caiu, parceiro. Esse lance de achar que a rua é o banheiro de casa já era.

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