terça-feira, 26 de abril de 2011

Chove Chuva

Choveu a cântaros e sem parar durante nove horas a mesma quantidade que era esperada para o período de 40 dias. Só faltou cair canivete. Foram 274 milímetros só na Grande Tijuca, foi água que não acabava mais. Naquela chuvarada de abril do ano passado foram 300 milímetros. Deve ser brabo ficar ilhado na Praça da Bandeira dentro carro ou no ônibus por horas esperando o socorro dos bombeiros chegar de barco. Enquanto escrevo, a estrada Grajaú-Jacarepaguá continua fechada por uma pedra de 600 toneladas. Se chegar no trabalho já foi brabo, imagina voltar pra casa hoje?
Foto: G1


No dilúvio do ano passado, tive medo de sair de casa assistindo o caos pela televisão. Hoje de manhã a sensação foi parecida, mas resolvi encarar. Foi um trânsito dos infernos, não tão ruim quanto eu esperava ou diferente do que acontece na véspera de um feriadão. A visão foi a de sempre, muita lama e gente limpando a sujeira.
Quando cai uma aguaceira dessas, logo me lembro das tragédias da região Serrana e do morro do Bumba. Aqui no Rio, algumas famílias foram removidas de encostas na Grajaú-Jacarepaguá ano passado, um mês antes das chuvas de abril. Muita gente esperneou dizendo que era uma política contra pobres. Quando caiu aquele temporal e um deslizamento soterrou o lugar onde estavam as casas, as mesmas pessoas que protestavam perderam seus argumentos.
No meio de tanta aflição, vi que pela primeira vez sirenes deram alertas para moradores de 11 comunidades em áreas de risco. Na região Serrana, pessoas morreram porque não foram avisadas a tempo. O prefeito da cidade de Areal mandou que um carro de som alertasse a população sobre o risco de alagamentos e salvou vidas. Nas comunidades da Tijuca, muitas famílias saíram de casa de madrugada com o alerta, mas alguns confundiram o som com a sirene dos bombeiros e irresponsavelmente não procuraram um lugar seguro para si e a própria família. Bem que essa cultura de prevenção de desastres naturais, como acontece em todos os países civilizados, podia pegar aqui também.    

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